Artigo

Como recrutar profissionais brasileiros para empresas europeias

Para recrutar profissionais brasileiros para uma empresa europeia, defina primeiro o caminho: remoto, com mudança ou para quem já mora na Europa. Depois, confirme o direito de trabalhar e avalie os idiomas com tarefas reais. Por fim, prepare uma proposta clara sobre contrato, salário e mudança.

Publicado em · Atualizado em · Por Lidiane

Por que olhar para o Brasil?

O Brasil tem uma base grande de profissionais seniores em tecnologia, produto, finanças, operações e vendas. Muitos têm experiência em multinacionais e em projetos internacionais. Para empresas que atendem o mercado brasileiro ou de língua portuguesa, o idioma e o conhecimento do mercado fazem diferença imediata.

Muitos brasileiros também já estão na Europa. Os brasileiros são a maior comunidade estrangeira em Portugal, com cerca de 31% dos residentes estrangeiros no fim de 2024 (AIMA, Relatório de Migrações e Asilo 2024). Isso abre a opção de contratar alguém que já vive no continente, no mesmo fuso e com experiência europeia.

Quais são os três caminhos possíveis?

CaminhoVantagensPontos de atenção
Remoto a partir do BrasilAcesso ao maior grupo de talentos e custo competitivoFuso de 3 a 5 horas, modelo de contratação e moeda
Com mudança para a EuropaA pessoa trabalha no escritório e no fuso da empresaAutorização de trabalho, prazo da mudança e adaptação da família
Quem já mora na EuropaMesmo fuso, experiência europeia e início mais rápidoGrupo menor e salários no nível europeu

Defina o caminho antes de buscar. Ele muda o perfil, o salário e o prazo. Se você quer contratar talento latino-americano para empresas europeias, buscamos nos três caminhos ao mesmo tempo e comparamos as opções com você.

Como fica o fuso horário?

São Paulo fica em UTC-3 o ano todo, sem horário de verão desde 2019 (Decreto 9.772/2019). Isso dá de 3 a 4 horas de diferença com Lisboa e Londres. Com a Europa Central, são de 4 a 5 horas, conforme o horário de verão europeu.

Na prática, a manhã no Brasil coincide com a tarde na Europa. Para muitas vagas, isso basta: reuniões à tarde no horário europeu e trabalho individual no restante do dia. Para vagas que exigem muitas horas em comum, como liderança de times europeus, pode ser melhor alguém que já more na Europa.

O que verificar sobre o direito de trabalhar?

Se a pessoa vai trabalhar fisicamente em um país da União Europeia, o direito de trabalhar é a primeira pergunta. Cidadãos da UE podem trabalhar em qualquer país da União sem autorização de trabalho (A sua Europa). Muitos brasileiros têm cidadania europeia por família. Os demais precisam de uma autorização, como o Cartão Azul UE para trabalhadores altamente qualificados (Comissão Europeia).

Pergunte isso na primeira conversa, sem constrangimento. Para vagas remotas a partir do Brasil, a questão muda. Aí o ponto é o modelo de contratação no Brasil, como CLT via EOR ou PJ. A decisão é jurídica, então confirme com um advogado.

Onde encontrar esses profissionais?

Os melhores profissionais brasileiros seniores raramente respondem a anúncios internacionais. Eles estão empregados, muitas vezes em boas empresas, e só consideram uma mudança quando alguém de confiança apresenta a oportunidade. Por isso, comece por indicações: colegas brasileiros no seu time, parceiros e comunidades profissionais.

Para quem já mora na Europa, procure comunidades de brasileiros nas cidades onde você contrata, como Lisboa, Porto, Amsterdã, Milão ou Berlim. Associações profissionais, grupos de ex-alunos e eventos do setor ajudam muito. Uma consultoria com rede nos dois lados encurta esse caminho, porque já conhece quem está aberto a conversar.

Como avaliar os idiomas?

O inglês é quase sempre necessário em empresas europeias, e o nível varia muito no Brasil. O EF English Proficiency Index publica um ranking anual, mas a média do país não diz nada sobre um candidato. Avalie com tarefas reais: uma atualização escrita, uma conversa com alguém do time e, se a vaga pedir, uma apresentação curta.

Pergunte também por outros idiomas. Muitos profissionais brasileiros falam espanhol, e alguns falam italiano, alemão ou francês por família ou estudo. Para vagas em Portugal, o português é natural, mas vale conversar sobre as diferenças de vocabulário e de tom no trabalho com clientes portugueses.

O que avaliar além do currículo?

  • Resultados concretos, confirmados com gestores anteriores.
  • Experiência em empresas do seu porte e estágio.
  • Comunicação clara por escrito, em inglês.
  • Conforto com feedback direto e decisões por escrito, comuns em empresas europeias.
  • Motivação real pela vaga e, se houver mudança, pelo país.
  • Situação da família, quando a mudança envolve outras pessoas.

Avalie comportamento, não origem. Um profissional que cresceu no Brasil pode ter o estilo mais direto do time, e vice-versa. Use cenários e referências para ver como a pessoa age de verdade.

Como montar uma proposta que convence?

Uma proposta para um profissional brasileiro sênior precisa ser clara em quatro pontos. O escopo da vaga, o modelo de contratação, o salário e, se houver mudança, o apoio para a mudança. Explique em que moeda a pessoa vai receber e como o valor é reajustado.

Para quem vai se mudar, o apoio faz diferença: ajuda com documentos, uma primeira moradia temporária e um prazo realista para começar. Para quem já mora na Europa, o importante é estabilidade: tipo de contrato, período de experiência e aviso prévio. Em todos os casos, compare o salário com o mercado europeu da vaga, não com o brasileiro.

Como garantir uma boa integração?

Os primeiros 90 dias decidem se a contratação funciona. Planeje o primeiro mês com cuidado: quem a pessoa conhece, que documentos lê e qual é a primeira entrega. Combine as horas em comum por escrito, principalmente em vagas remotas a partir do Brasil.

Converse com frequência e faça perguntas diretas. Profissionais que mudam de país ou de empresa costumam se adaptar em silêncio. Uma conversa semanal curta nas primeiras semanas ajuda a resolver pequenos problemas antes que cresçam.

Se houve mudança de país, lembre que a adaptação também é da família. Pequenos gestos, como flexibilidade nas primeiras semanas para resolver documentos e escola, fazem muita diferença na permanência.

O que vemos em buscas reais

Nas minhas buscas entre o Brasil e a Europa, os candidatos mais fortes faziam muitas perguntas antes de aceitar uma entrevista. Queriam entender o time, o projeto e o modelo de contratação. Quando a empresa respondia com clareza, o processo andava rápido.

Também vejo empresas europeias surpreendidas com a qualidade dos profissionais brasileiros em tecnologia e produto. E com a facilidade de integração quando o processo é bem feito. O que mais pesa é a clareza sobre o contrato e as expectativas desde o início.

Por fim, vejo que a primeira contratação brasileira bem-sucedida costuma abrir caminho para outras. Ela ajuda o time a entender o mercado e indica colegas de confiança.

Sobre o autor

Lidiane

Lidiane

Lidiane é cofundadora da Tessera Partners. Cresceu no Brasil e construiu a carreira na Itália e na Holanda, em redes de TI e produto. Lidera as buscas no Brasil e em Portugal.

Quer contratar profissionais brasileiros para a sua empresa na Europa?

Agendar uma conversa →